Hélio Doganelli Filho, filho de Hélio Doganelli e Lêda Teixeira Doganelli, nasceu no bairro do Mandaqui na maternidade de mesmo nome, na cidade de São Paulo, em 3 de setembro de 1970, às 19 horas. Foi a sétima e última criança a vir ao mundo nesse dia na maternidade e, entre os sete nascidos, o único do sexo masculino, narra sua mãe. Dona Lêda conta, ainda, que o parto normal a que foi submetida teve complicações e que a médica que a assistia lhe pediu que rezasse para Nossa Senhora do Bom Parto, enquanto aplicava fortes massagens em sua barriga. Assim que deu à luz, ela não pôde ver o filho, pois os médicos saíram às pressas da sala de parto com o bebê, que não conseguia respirar — nem mesmo chorou ao nascer. Depois de algumas horas, quando uma enfermeira trouxe o recém-nascido para dona Lêda conhecer, foi espantoso. Assim que ela adentrou o quarto, as luzes da maternidade se apagaram, não podendo a mãe ver a criança. Com outros acontecimentos que sucederam, dona Lêda pôde conhecer seu recém-nascido filho Hélio somente no terceiro dia após o parto.
Embora seu marido não aceitasse as religiões de cunho espiritual, dona Lêda, sempre às escondidas, frequentava as sessões em terreiros de umbanda ou candomblé com o filho Helinho e sua irmã, buscando equilíbrio espiritual e paz para seu lar, tendo em vista a infinidade de fenômenos espirituais que aconteciam em torno de sua família desde que Hélio era criança, e continuavam acontecendo constantemente em qualquer casa em que fixassem residência.
Aos sete anos de idade de Hélio, sua mãe frequentava, ainda às escondidas do esposo, um barracão de candomblé de Mãe Dirce d’Iansã no bairro da Água Fria em São Paulo. Foi nesse barracão, pelo jogo de búzios para dona Lêda, que foi anunciado que Hélio seria um sacerdote da religião de umbanda e que, quando adulto, conduziria um terreiro.
Os diversos fenômenos espirituais nunca cessaram de acontecer na família. Mesmo com a curiosidade religiosa, Helinho, como era chamado pela família, procurava conhecer, sem se envolver, diversas religiões e seitas que lhe fosse permitido. Aos 12 anos, começaram a lhe aflorar alguns dons mediúnicos que muito o perturbavam, mas a família prosseguia sua vida, por vezes frequentando algum terreiro de umbanda para tomar passes, ainda às escondidas do pai de Helinho.
Hélio começou a sua vida profissional como contínuo no Banco Nacional aos 15 anos.
Aos 16 anos, na casa de uma amiga, teve os primeiros contatos com uma entidade chamada Baiano Severino e foi nessa casa que, através da visão espiritual que aflorava, presenciou alguns fenômenos espirituais.
Helinho, embora procurasse conhecer as religiões, não queria se envolver com nenhuma, e tentava fugir da ideia de que um dia seria sacerdote umbandista. Porém, quanto mais tentava se desviar desse caminho, mais amigos ou acontecimentos o levavam a conhecer centros espíritas e terreiros de umbanda. E foi através de um grande amigo que Hélio começou a frequentar as sessões de umbanda no Terreiro do Preto Velho Pai Tomé de Souza, no bairro da Mooca em São Paulo. Nesse terreiro de umbanda, a mediunidade de Helinho aflorou ainda mais, embora frequentasse somente como assistido. Ao ser convidado para participar do desenvolvimento, resolveu não mais ir ao terreiro.
Em 1987, Helinho conheceu o Terreiro de Umbanda Caboclo Juremeira, dirigido por Mãe Luiza d’Oxum. Em consulta com Baiano Zé do Junco, ele foi girado na puxada da entidade e, a partir de então, começou seu desenvolvimento na umbanda, nesse terreiro onde foi batizado e fez várias obrigações dentro da doutrina. Ele levou com ele sua irmã e sua mãe, e elas também começaram ali seus desenvolvimentos. Entretanto, devido a diversos fatores, ele veio a se desvincular do terreiro onde havia desenvolvido a mediunidade.
Passados alguns anos, ele veio a conhecer o Terreiro de Pai Antônio, no bairro da Água Rasa, em São Paulo. Nesse terreiro, nasceu uma grande amizade, preservada até hoje, com um dos dirigentes, Luiz Roberto. Porém, o terreiro de Pai Antônio passava por transformações que o fariam encerrar as atividades algum tempo depois.
Após esse momento, Hélio decidiu não mais frequentar terreiros e, por intermédio e insistência de sua irmã, acabou indo conhecer a Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP). Por mais de 12 anos, Hélio frequentou a FEESP, estudando a doutrina dos espíritos por Allan Kardec.
Em meio a esse período de 12 anos, mais precisamente no ano de 1995, Helinho, juntamente com sua mãe e o irmão dela, seu tio Sérgio Teixeira, prosseguiu com os estudos voltados para a religião de umbanda, abrindo trabalhos para o preto velho Pai João de Angola e atendendo a outros familiares, amigos e a quem por intermédio destes os procurassem.
Devido à expansão da internet, Helinho conquistou novas amizades com dirigentes umbandistas. Através de programas de comunicação, conheceu Manoel Lopes, do Núcleo Mata Verde, entre outros pais e mães com os quais até hoje mantém amizade. Manoel fundou na internet a Rede Brasileira de Umbanda (RBU), uma rede social voltada aos umbandistas do planeta e, desde a fundação da rede, Helinho foi um dos moderadores.
Em 2004, conheceu o sacerdote de umbanda e mestre de magia Rubens Saraceni e, através dele, a magia divina trazida por seus mentores.
Nessa época, passando por diversas dificuldades profissionais e financeiras, a confiança e fé em Pai Oxalá, Preto Velho Pai João de Angola e em todos os orixás, guias e mentores espirituais fez com que Hélio fortalecesse o pequeno grupo de reuniões umbandistas e, a pedido de Pai João de Angola, no ano de 2005 abriu as portas do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola (CEREJA) a qualquer pessoa que os procurasse.
Pai Helinho participou de ideais que formaram movimentos políticos em nome da umbanda, mas, em determinado momento, desvinculou-se de tais grupos por determinação de seu mentor espiritual.
Ele escreve o Boletim Universo da Arte, voltado ao terreiro que dirige, mas que dá espaço para divulgação de outros terreiros de amigos e também para a divulgação da arte de forma geral.
É mago iniciador da magia divina transmitida por mestre Rubens.
De sua primeira união, é pai de Aline; da segunda, de Rafael. Sua terceira união foi no ano de 2007 com Fabiana Peruzzi Gomes, com a qual teve três filhos: Eros, Davi e Sofia. Sua esposa Fabiana e seus filhos são hoje sua grande força nos trabalhos de umbanda.
O CEREJA se estrutura pela família de Pai Helinho e pela família do Ogã Alabê Régis e sua esposa Célia, médium coroada do CEREJA.
Hélio é escultor religioso, artesão e artista plástico, e trabalha desde rapaz com arte e artesanato. Desde adolescente é músico, poeta e compositor. Embora não tenha se dedicado muito a essa área, tem algumas poesias publicadas em antologias poéticas.
Na umbanda, enfim, conhecido por Pai Helinho de Oxalá, é um pequeno aprendiz, tentando ser um bom instrumento em nome de Deus e um sacerdote honesto dentro da religião. Seguindo os ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade”.

