Edward Bulwer-Lytton

Sir Edward G.D. Bulwer-Lytton, o mais jovem dos três filhos do general William Earle Bulwer, e de Elizabeth Barbara Lytton, nasceu em 25 de maio de 1803, no nº 31 de Baker Street, em Londres. Dentro de um ano, a sra. Bulwer buscou legalmente a guarda do menino na corte de Chancery, devido ao temperamento explosivo de seu marido. Naquela ocasião, o governo britânico, prevenindo-se contra uma invasão napoleônica, designou o general Bulwer como comandante militar de Lancashire, para preparar a defesa do condado. Entretanto, em 07 de julho de 1807, o general Bulwer faleceu antes que pudesse receber o título de par do reino, em reconhecimento por seus serviços ao país.
Em 1812, a viúva enviou Edward à escola do dr. Ruddock em Fulham, mas em virtude do mau tratamento ali, ela o transferiu para a escola do dr. Hooker em Rottingdean. Apesar de sua precocidade e de seu amor pelos livros, herdado da mãe, ele não concluia nada de forma acadêmica, e sua mãe se preocupava que estivesse mal preparado para a universidade No verão de 1820, enquanto Bulwer estudava latim, grego, história e retórica com o reverendo Charles Wallington em Ealing, preparando-se para cursar a universidade de Cambridge, apaixonou-se profundamente por uma moça conhecida pelos demais apenas como “Lucy D.”. Antes que o relacionamento pudesse ultrapassar o estágio platônico, “a misteriosa jovem desapareceu de repente, um dia, levada por seu pai, e aprisionada por um casamento malfazejo”, levando o jovem Edward a uma melancolia byroniana. Três anos mais tarde, a jovem escreveu a Bulwer que ainda o amava – e estava morrendo.
Em 1833, ao viajar pela Inglaterra, ele fez uma peregrinação a seu túmulo em Ullswater. A experiência parece que o curou da melancolia. Posteriormente, enquanto estava em Knebworth, teve um breve caso com a ex-namorada de Lord Byron, Lady Caroline Lamb, que “conduziu diretamente à tortura vitalícia de seu casamento com a protegida dela, Rosina Wheeler”. Em 1820, instigada por sua mãe, a firma londrina J.Hatchard & Filho publicou Ismael: uma história oriental e outros poemas, pelo qual, embora vendesse mal, o jovem Edward recebeu o reconhecimento de Sir Walter Scott. Em 1822 ingressou no Trinity College de Cambridge. Enquanto estava ali, escreveu, ainda no estilo byroniano, Delmour ou a história de uma sílfide e outros poemas Em julho de 1825 foi premiado com a medalha do Chanceler por seu poema Escultura. Nessa época, publicou também o romance Rupert de Lindsay e a coleção de poemas Ervas e Flores Silvestres(1826). Recebendo o título de Bacharel em Arte, o jovem Edward viajou para Paris. Depois de um namoro com uma jovem parisiense bem-nascida, que sua mãe, anti-católica declarada, terminou, Edward retirou-se para os bosques em torno de Versailles, cavalgando e escrevendo poemas. Retornando a Londres, despediu-se rapidamente de sua melancolia mergulhando na vida de sociedade.
Numa festa, emcontrou Rosina Doyle Wheeler, uma jovem irlandesa bonita e inteligente, sobrinha do general Sir John Doyle. A atração mútua foi instantânea, e em 30 de agosto de 1827 casaram-se na igreja de St.James, em Londres, com muito desgosto de sua mãe. Passaram os próximos dois anos em Reading, felizes apesar do fato de que a renda de Rosina era de apenas 80 libras por ano, e a mãe dele tinha suspendido seu auxílio. Sua primeira filha, Emily, nasceu nessa época. Entre 1827 e 1835, seus gastos somavam 3.000 libras por ano, um estilo de vida extravagante que forçou Bulwer a tornar-se um escritor prolífico. Durante esses anos, escreveu treze romances, dois longos poemas, quatro peças, uma história social da Inglaterra desde a virada do século, uma história de Atenas em três volumes, as histórias coletadas em O Estudante (1835); editou o New Monthly Magazine (1831-2) e publicou anonimamente numerosos ensaios na Edinburgh Review, Westminster Review, Monthly Chronicle, The Examiner e Literary Gazette.
Seu primeiro romance, o melancólico Falkland (1627), de tom byroniano, não conseguiu despertar o interesse do público, mas Pelham, ou as Aventuras de um Cavalheiro (1828), romance de costumes e da vida elegante, inaugurou sua carreira de fluente e popular romancista. A mãe do herói, Lady Frances, que possuia um estilo vivo e sofisticado de escrever cartas, baseado no de Lord Chesterfield, ajudou a instituir uma nova moda para trajes de noite, pois no romance ela preferia o preto, contrariando o popular azul. Em Os Rejeitados (1828), o jovem romancista utilizou suas próprias experiências de juventude com os ciganos que ficavam perto da propriedade de sua mãe, e de sua estada na França. Seu quarto romance, Devereux (1829), ambientado no reinado da Rainha Ana, foi sua primeira tentativa no gênero romance histórico. Em 1830, publicou seu primeiro romance criminal, Paul Clifford, que foi o início de seus “romances de idéias”, sendo nesse caso a reforma judicial. Em 8 de novembro de 1831 nasceu o filho de Bulwer, Robert. Tornou-se mais tarde um diploma de grande sucesso e ótimo poeta. Sua história criminal de cunho psicológico, baseada em fatos reais, Eugene Aram (1832) levantou uma tempestade de protestos, porque fazia de herói um homicida (um estudioso autodidata).
Em 1833 publicou Godolphin, romance que é sua primeira incursão nos temas de ocultismo. Essa enorme produção, que incluía poemas como Os Irmãos Siameses (1831) e romances, prejudicou o casamento de Bulwer. Apesar do sucesso de Os Últimos Dias de Pompeia (1834), Bulwer não podia parar de trabalhar; ficava frequentemente irritado e negligenciava a família. Depois de muitas discussões violentas, ele e Rosina separaram-se legalmente em 1836. Ela continuou a importuná-lo pelo resto de sua vida, e sobreviveu a ele. A viagem à Itália com Rosina em 1833-34 foi o fim do idílio conjugal, mas essa experiência, conjugada às consideráveis leituras de Bulwer sobre a historia medieval e clássica resultaram não somente em seu romance, que fez sensação, sobre a destruição da infausta cidade de lazer romana em 79 aC, mas também no romance em três tomos Rienzi, ou O Último Tribuno Romano (1835), passado na Itália medieval, e seu estudo em dois volumes Atenas, Esplendor e Queda (1837). Os cinco anos que se seguiram à separação de Rosina em 1836 encontraram Bulwer escrevendo não apenas prosa e poesia, mas também peças em versos. Nesse meio tempo, ele continuava a escrever romances mesclando a metafísica com suas observações pessoais sobre a alta sociedade contemporânea – Ernest Maltravers (1837), Noite e Manhã (1841), e Zanoni (1842) Além de escrever e viajar, Bulwer-Lytton fez uma carreira política de sucesso, servindo duas vezes no Parlamento, na Câmara dos Comuns – primeiro como radical, durante onze anos, desde 1831, e depois de um hiato de onze anos, como conservador, de 1852 a 1866, quando ingressou na Câmara dos Lordes. De natureza tímida e reservada, a surdez crescente de Bulwer o fez mais e mais distanciar-se do olhar do público. Vivia parte do ano sozinho em Knebworth, e o resto no continente, nas águas termais que auxiliavam sua saúde já precária. Era-lhe difícil acompanhar os debates na Câmara do Lordes, embora fizesse o possível. As honrarias continuavam a chover: a Ordem de St.Michael e St.George (1870), um Doutorado em Leis honoris causa de Oxford (1864), a reitoria da Universidade de Glasgow (1856) e até o oferecimento do trono da Grécia, que ficara vago com a abdicação do rei Oto. Durante o outono de 1872, seu filho Robert e a nora, voltando de uma missão diplomática no estrangeiro, permaneceram com Bulwer na Turquia. Quando partiram, em 4 de jáneiro de 1873, ele começou a queixar-se de dores cruciantes e barulho terrível nos dois ouvidos; poucos dias depois, ficou cego. Na noite de 17 de janeiro, teve convulsões, e morreu dormindo no dia seguinte, vítima da infecção auditiva de que sofrera durante anos e finalmente atingira o cérebro. Em 25 de jáneiro, foi enterrado na Abadia de Westminster.
Bulwer-Lytton possuía um profundo e genuíno conhecimento de ocultismo e magia, que vinha de extensas leituras e sua participação da Ordem Rosacruz. Em Zanoni, ele descreve a magia branca. Bulwer-Lytton declarava que esse romance representava a expressão integral de seu pensamento. Pode ser considerado um romance de idéias rosacruz. Trouxe para o público do século XIX a fascinação intemporal da tradição alquimista rosacruz. O interesse que despertavam as obras de Lytton repousa essencialmente em suas idéias, o que as faz permanecem relevantes até hoje.

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